... give the girl a cigar
terça-feira, 28 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
Tanto mar
quinta-feira, 23 de abril de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
Verdes anos
O camarada que a espiava, deitado na duna recamada de longos fios de erva, embalava nos braços cruzados o queixo sombreado por uma covinha.
Tem dezasseis anos e meio, e Vinca vai nos quinze anos e meio.
Toda a infância os uniu, separa-os a adolescência.*
*Colette, Verdes Amores, Editorial Estúdios Cor, Lisboa, 3ª ed, 1963
sábado, 18 de abril de 2009
Versus
"Pintado, provavelmente, em algum momento entre 1303 e 1306 e dedicado à Virgem Anunciada, a obra-prima de Giotto di Bondone é o interior, em fresco, da Capela Arena, a qual, em Pádua, encontra-se no mesmo lugar de um antigo anfiteatro romano, de sorte que é desta feita que se dá a sua denominação.
O projecto inclui três fileiras de frescos, que, somados, totalizam trinta e quatro, os quais se distribuem ao longo das paredes do meio e superior. A fileira acima de todas mostra cenas do início da vida da Virgem; a fileira do meio, cenas da vida de Cristo; e, a fileira mais abaixo, cenas da Sua Paixão. Um fresco do Julgamento Final reveste a parede da entrada.
O projecto inclui três fileiras de frescos, que, somados, totalizam trinta e quatro, os quais se distribuem ao longo das paredes do meio e superior. A fileira acima de todas mostra cenas do início da vida da Virgem; a fileira do meio, cenas da vida de Cristo; e, a fileira mais abaixo, cenas da Sua Paixão. Um fresco do Julgamento Final reveste a parede da entrada.
Ao longo da parte mais baixa das paredes, encontram-se figuras alegóricas dos vícios profanos e das virtudes divinas, com seus nomes, em latim, escritos sobre eles."1
1 Tradução de: ERICKSON, Glenn W. Giotto’s virtues. Revista do centro de artes e letras, Santa Maria/RS, v. 17, n. 1-2, p. 41-48, jan./dez. 1995.

Caritas
"Deus dá os frutos do amor aos mais pobres"

Invidia
"Quem não vê a graça alheia"

Tempera

Iram
1 Tradução de: ERICKSON, Glenn W. Giotto’s virtues. Revista do centro de artes e letras, Santa Maria/RS, v. 17, n. 1-2, p. 41-48, jan./dez. 1995.

Caritas
"Deus dá os frutos do amor aos mais pobres"

Invidia
"Quem não vê a graça alheia"

Tempera

Iram
Giotto rocks
Tem a forma exacta da Capela. No interior, um conjunto de fotografias reproduz os frescos, acompanhados de painéis didácticos e informativos que permitem mais facilmente reconhecer aquela que é das mais importantes obras-primas da arte ocidental: os frescos de Giotto na Capela de Scrovegni, em Pádua. *


quarta-feira, 15 de abril de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
My kind of talk#2
"- Do you ever have déjà vu, Miss?
- I don't think so, but I could check with the kitchen"
passagem do filme Groundhog Day, de 1993
sexta-feira, 20 de março de 2009
"A árvore dos tamancos", ou um dia do Pai
Só se escutam os ruídos das coisas, que as gentes guardam o silêncio como se não ousassem.
O cenário maior é a Lombardia, a mesma que atravessei umas vezes de estrada, outras em trilhos metálicos; igualmente plana, igualmente repetida, sem colina nem montanha, mesmo breve, que faça alçar o olhar e que empreste algum dramatismo à alma que a fita. Avanço na película de Ermanno Olmi e fixo-a numa mesa e na família que janta, em silêncio ainda. Outras em tudo iguais repetem os gestos e o silêncio, cada uma na sua cela com abertura para o quinteiro partilhado.
Há no entanto gestos que quebram esta rotina, aqueles no lar onde um pai cortou uma árvore do caminho para dela esculpir os sapatos que o filho não ousava pedir, e nesse amor se fez expulsar com os seus, por sentença do senhor que até então serviam.
Arrumam-se os haveres, o ruído alastra e anuncia a saída eminente a todas as famílias reunidas à mesa. Subitamente ergue-se um menino, num repente : quer ver os amigos partir, mas logo o pai o segura, em silêncio, e tudo serena no regresso aos gestos repetidos.
Só quando a família se afasta na paisagem é que revelam a sua dimensão: todas as portas se abrem e reúnem-se para a ver partir.
Não o fizeram assim por indiferença ou resignação, antes por respeito, ao não assistirem à vergonha alheia.
E a esse valor chama-se humanidade, que não tendo Pátria nem berço, foi naquela circunstância, italiana.
O cenário maior é a Lombardia, a mesma que atravessei umas vezes de estrada, outras em trilhos metálicos; igualmente plana, igualmente repetida, sem colina nem montanha, mesmo breve, que faça alçar o olhar e que empreste algum dramatismo à alma que a fita. Avanço na película de Ermanno Olmi e fixo-a numa mesa e na família que janta, em silêncio ainda. Outras em tudo iguais repetem os gestos e o silêncio, cada uma na sua cela com abertura para o quinteiro partilhado.
Há no entanto gestos que quebram esta rotina, aqueles no lar onde um pai cortou uma árvore do caminho para dela esculpir os sapatos que o filho não ousava pedir, e nesse amor se fez expulsar com os seus, por sentença do senhor que até então serviam.
Arrumam-se os haveres, o ruído alastra e anuncia a saída eminente a todas as famílias reunidas à mesa. Subitamente ergue-se um menino, num repente : quer ver os amigos partir, mas logo o pai o segura, em silêncio, e tudo serena no regresso aos gestos repetidos.
Só quando a família se afasta na paisagem é que revelam a sua dimensão: todas as portas se abrem e reúnem-se para a ver partir.
Não o fizeram assim por indiferença ou resignação, antes por respeito, ao não assistirem à vergonha alheia.
E a esse valor chama-se humanidade, que não tendo Pátria nem berço, foi naquela circunstância, italiana.
quarta-feira, 18 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
A quinta da cento e sessenta e um
"Every other detail of life was subordinated to it."
excerto de The Culture of Cities, de Lewis Mumford
e uma imagem, porque não
quarta-feira, 4 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
My kinda talk
- Suppose we would win, what would you do?
- Do what?
- With the money, what would you do?
- I´d buy some really good rat poison.
excerto do filme:
"Os cavalos também se abatem", de Sydney Pollack
- Do what?
- With the money, what would you do?
- I´d buy some really good rat poison.
excerto do filme:
"Os cavalos também se abatem", de Sydney Pollack
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
"I will honey but now i got to get going"



Vi-o pela primeira vez de forma inesperada, no sofá da sala das horas tardias e já sem tempo, e não mais o larguei. Já havia visto Lynch, mas não de forma tão tangível, como se me cruzara com aquelas personagens em cantos do pensamento que é sonho de liberdade. e havia uma mulher que vestia apenas a sensualidade.
Encontrei-o de novo no Spazio Oberdan, no ano em que passei mais tempo na rua que debaixo de quatro águas. Desta vez com a inclusão da curta que havia integrado a apresentação em Cannes. assisti, full screen, ao ritual preciso de acender um cigarro.
Dizia à pouco que não acreditava em coicidências, meras abstrações lógicas plantadas pela superstição, mas recordei-o novamente depois do acidente do carro para a sucata: libertadas as pernas dos plásticos e sem um aranhão como me acontece, procurava, interessavam-me unicamente as chaves de casa.
Wild at heart é um dos meus filmes indissociáveis e vou-o encontrando numa curva, na febre de um quarto, a alumiar um cigarro.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Belas Artes, 1942
Ontem pelo final da tarde estiveram à conversa no Porto, Nadir Afonso e Fernando Lanhas.
Sem alaridos, como por aqui acontece, falaram para uma reduzida plateia cada maior em número e cada vez mais pequena. Lanhas, da Arte, que "O homem só repara, que a nós não nos compete falar da arte". Nadir responde na esteira do pensamento que fundou toda a sua criação, "A arte procura a geometria como as plantas procuram o sol...". Sucedem-se as estórias, de Paris de Vasarely, do Rio de Niemayer. De Chaves e de Trás-os-Montes, onde a hipersensibilidade do artista apreende a presença da matemática e da geometria na harmonia das formas, nas suas regras universais.
É ainda o tempo dos Mestres.
Sem alaridos, como por aqui acontece, falaram para uma reduzida plateia cada maior em número e cada vez mais pequena. Lanhas, da Arte, que "O homem só repara, que a nós não nos compete falar da arte". Nadir responde na esteira do pensamento que fundou toda a sua criação, "A arte procura a geometria como as plantas procuram o sol...". Sucedem-se as estórias, de Paris de Vasarely, do Rio de Niemayer. De Chaves e de Trás-os-Montes, onde a hipersensibilidade do artista apreende a presença da matemática e da geometria na harmonia das formas, nas suas regras universais.
É ainda o tempo dos Mestres.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Obliquar #1
Circadiano
Nas aldeias,
recolhem-se quando anoitece, em noites de verão.
as alfaias que guardam logo ali, pelo feno, já as usaram os avós.
Abatem uma árvore que sombreia a horta
e as restantes conhecem-nas sem nelas pensarem.
Uma cepa sem trato e descuidada, parece mal.
Os campos de milho depois de cortados são campos de estrepes, afiadas pelo metal.
O vinho conta-se em almudes, e o grão em caixas de castanho.
Quando era menino via a senhora Maria amassar o pão nessas mesmas caixas, na cozinha velha da casa antiga.
E o senhor Cipriano, já centenário, passava de charrete.
Agora, um ministro de boné passeia-se no seu tractor de recreio, e as pessoas da aldeia guardam o silêncio de mudez nada surda.
Eu, que tenho demasiadas gerações de cidade, falo um pouco mais. pouco mais.
Nas aldeias,
recolhem-se quando anoitece, em noites de verão.
as alfaias que guardam logo ali, pelo feno, já as usaram os avós.
Abatem uma árvore que sombreia a horta
e as restantes conhecem-nas sem nelas pensarem.
Uma cepa sem trato e descuidada, parece mal.
Os campos de milho depois de cortados são campos de estrepes, afiadas pelo metal.
O vinho conta-se em almudes, e o grão em caixas de castanho.
Quando era menino via a senhora Maria amassar o pão nessas mesmas caixas, na cozinha velha da casa antiga.
E o senhor Cipriano, já centenário, passava de charrete.
Agora, um ministro de boné passeia-se no seu tractor de recreio, e as pessoas da aldeia guardam o silêncio de mudez nada surda.
Eu, que tenho demasiadas gerações de cidade, falo um pouco mais. pouco mais.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
A primavera do ano que começa
"...
As caravanas partiram. E o Splendid-Hotel foi construído sobre o caos de gelos e de noite do polo.
Desde então, a Lua ouviu o uivo dos chacais nos desertos de timo - e a éclogas saloias grunhindo ao vergel. Depois, na grande mata violeta em botão, Eucáris disse-me que era primavera.
- Irrompe, charco, - Escuma, rola sobre a ponte e por cima das árvores; - velos negros e orgãos - raios e trovão, vinde e rolai; - Águas e tristezas, crescei e restabelecei os Dilúvios.
Pois, desde que eles se foram, - oh, as pedras preciosas aluindo, e as flores abertas! - é o tédio! e a Rainha, a feiticeira que esperta o seu lume na frágua de barro, nunca quererá contar-nos o que sabe e nós ignoramos."
Excerto de Depois do Dilúvio, das Iluminações de Jean-Arthur Rimbaud
As caravanas partiram. E o Splendid-Hotel foi construído sobre o caos de gelos e de noite do polo.
Desde então, a Lua ouviu o uivo dos chacais nos desertos de timo - e a éclogas saloias grunhindo ao vergel. Depois, na grande mata violeta em botão, Eucáris disse-me que era primavera.
- Irrompe, charco, - Escuma, rola sobre a ponte e por cima das árvores; - velos negros e orgãos - raios e trovão, vinde e rolai; - Águas e tristezas, crescei e restabelecei os Dilúvios.
Pois, desde que eles se foram, - oh, as pedras preciosas aluindo, e as flores abertas! - é o tédio! e a Rainha, a feiticeira que esperta o seu lume na frágua de barro, nunca quererá contar-nos o que sabe e nós ignoramos."
Excerto de Depois do Dilúvio, das Iluminações de Jean-Arthur Rimbaud
domingo, 28 de dezembro de 2008
domingo, 21 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
Metgethen
dizemos que ronda o frio, e que há dor que pousa na indiferença das horas, algumas horas.
mas não sabemos nada. nada de dias em que a noite se sucedia sem alvorada que a cortasse.
mas não sabemos nada. nada de dias em que a noite se sucedia sem alvorada que a cortasse.
sábado, 29 de novembro de 2008
Cabeçada
Tese - ... constou-me que ontem cirandaste pela cidade, sem propósito...
AC - nada que te toque.
Tese - nem cabeçalho tenho...
AC - pouco barulho
Tese - ... pouco silêncio...
AC - e um caixote do lixo à tua espera?
Tese - ...caixa de música para o teu fracasso!
AC - Desinfecta!
Tese - fica-te nesse pensamento.
(Quando logo te esticares no sofá, aí te visitarei...)
AC - nada que te toque.
Tese - nem cabeçalho tenho...
AC - pouco barulho
Tese - ... pouco silêncio...
AC - e um caixote do lixo à tua espera?
Tese - ...caixa de música para o teu fracasso!
AC - Desinfecta!
Tese - fica-te nesse pensamento.
(Quando logo te esticares no sofá, aí te visitarei...)
xy:z
Bobo: A Verdade é uma cadela que que obrigam a recolher ao canil: enquanto a correm a chicote, Princesa, a cadela de caça pode ficar tresandando junto ao lume.
Lear: ferida envenenada que me dói!
Excerto de
O Rei Lear,
com tradução de Álvaro Cunhal,
da CAMINHO
Lear: ferida envenenada que me dói!
Excerto de
O Rei Lear,
com tradução de Álvaro Cunhal,
da CAMINHO
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
02:2etal
Na outra noite, cansado dos dentes ruidosos da Matilde, levantei-me da cama num impulso e arremeti-me no sofá da sala para 5 minutos de descanso. Encerrei-me por debaixo de um braço, mas senti nas pálpebras uma iluminação excessiva que me fez abrir os olhos: - devo ter ligado a televisão ao afastar o comando para me esticar - pensei com alguma surpresa. As imagens do filme que passava na 2 eram igualmente enigmáticas: uma mulher de expressão assustada rezava uma Avé-Maria ao volante. Seguia viagem, parava numa rua onde todos fugiam cada um para seu lado, alguns nem roupa tinham. Surge uma velha no vidro do automóvel e exclama: - Fuja menina, que é o fim do mundo! Tudo aquilo me era real.
Comprendi naquele instante que não podia continuar ali e regressei à cama.
Comprendi naquele instante que não podia continuar ali e regressei à cama.
sábado, 22 de novembro de 2008
E o realizador não era o Sergio Leone
...
Era um jovem desleixadamente vestido, com uma sobrecasaca de mangas ensebadas até ao lustro, um colete cheio de nódoas abotoado até ao pescoço para tapar a ausência de camisa, desaparecida sabe Deus como, com um cachecol de seda negra incrivelmente emporcalhado e torcido como uma corda, as mãos sujas...
O seu rosto não exprimia a mínima ironia, a mínima reflexão; pelo contrário, era o espelho de completo e torpe arrebatamento pelo seu direito e, também, de qualquer coisa próxima da permanente e estranha necessidade de ser e se sentir sempre ofendido.
...
excerto de O Idiota,
de Fiódor Dostoiévski
Era um jovem desleixadamente vestido, com uma sobrecasaca de mangas ensebadas até ao lustro, um colete cheio de nódoas abotoado até ao pescoço para tapar a ausência de camisa, desaparecida sabe Deus como, com um cachecol de seda negra incrivelmente emporcalhado e torcido como uma corda, as mãos sujas...
O seu rosto não exprimia a mínima ironia, a mínima reflexão; pelo contrário, era o espelho de completo e torpe arrebatamento pelo seu direito e, também, de qualquer coisa próxima da permanente e estranha necessidade de ser e se sentir sempre ofendido.
...
excerto de O Idiota,
de Fiódor Dostoiévski
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Elis
Ah! Dizem que fazia amor com qualquer um... E que se drogava
Ah! Dizem que foi apanhada a ver o mar com outra mulher...
Ah! Dizem que foi encontrada morta... Os pulsos cortados.
"dizem que não sabiam quem era",
Jorge Palma
sábado, 8 de novembro de 2008
A Ascenção da Liberdade
"...o que é que acontece à pérola do nosso ser, o que sucede com a nossa liberdade?
A liberdade, responderei, mas não vedes então, do ponto em que me coloco, que ela aparece por todos os lados, - e que ela cresce por todos os lados?Eu sei: por uma espécie de obsessão inata, não conseguimos desembaraçar-nos da ideia de que é ficando o mais isolados possível que nós seremos mais senhores de nós próprios. Ora, não será o contrário que é verdade ? Não o esqueçamos. Em cada um de nós, por estrutura, tudo é elementar, incluindo mesmo a nossa liberdade.Impossível desde logo continuarmos a libertar-nos sem nos reunirmos e nos associarmos convenientemente. Operação perigosa, certamente, uma vez que, seja misturadas em desordem, seja engrenadas entre si como simples maquinismos, as nossas atividades neutralizam-se ou mesmo mecanizam-se (como experimentamos à saciedade). Mas operação salvífica, também, visto que, unidas centro a centro (ou seja, numa visão ou numa paixão comuns), elas se enriquecem indubitavelmente. Uma equipe, dois amantes... Operada na simpatia, a união não se limita, ela exalta as possibilidades do ser. A uma escala limitada, é o que se experimenta por todos os lados e todos os dias. A uma escala mais vasta, à escada do total, se a lei é inerente à própria estrutura das coisas, por que não haveria ela de valer ainda mais?Simples questão de intensidade no campo que polariza e atrai. No caso duma união cega ou dum arranjo puramente instrumental, é verdade que o jogo dos grandes números materializa, - mas, no caso duma unanimidade realiza pelo interior, ele personaliza e mesmo, acrescentaria eu agora, infalibiliza as nossas actividades. Uma só liberdade, tomada isoladamente, é fraca, incerta e pode facilmente errar nos seus tateios. Uma totalidade de liberdades, agindo livremente, acaba sempre por encontrar o seu caminho. "
Capítulo de conclusão do artigo de Teilhard de Chardin publicado na Revue des Questions scientifiques, em 1947, intitulado "A formação da noosfera"
A liberdade, responderei, mas não vedes então, do ponto em que me coloco, que ela aparece por todos os lados, - e que ela cresce por todos os lados?Eu sei: por uma espécie de obsessão inata, não conseguimos desembaraçar-nos da ideia de que é ficando o mais isolados possível que nós seremos mais senhores de nós próprios. Ora, não será o contrário que é verdade ? Não o esqueçamos. Em cada um de nós, por estrutura, tudo é elementar, incluindo mesmo a nossa liberdade.Impossível desde logo continuarmos a libertar-nos sem nos reunirmos e nos associarmos convenientemente. Operação perigosa, certamente, uma vez que, seja misturadas em desordem, seja engrenadas entre si como simples maquinismos, as nossas atividades neutralizam-se ou mesmo mecanizam-se (como experimentamos à saciedade). Mas operação salvífica, também, visto que, unidas centro a centro (ou seja, numa visão ou numa paixão comuns), elas se enriquecem indubitavelmente. Uma equipe, dois amantes... Operada na simpatia, a união não se limita, ela exalta as possibilidades do ser. A uma escala limitada, é o que se experimenta por todos os lados e todos os dias. A uma escala mais vasta, à escada do total, se a lei é inerente à própria estrutura das coisas, por que não haveria ela de valer ainda mais?Simples questão de intensidade no campo que polariza e atrai. No caso duma união cega ou dum arranjo puramente instrumental, é verdade que o jogo dos grandes números materializa, - mas, no caso duma unanimidade realiza pelo interior, ele personaliza e mesmo, acrescentaria eu agora, infalibiliza as nossas actividades. Uma só liberdade, tomada isoladamente, é fraca, incerta e pode facilmente errar nos seus tateios. Uma totalidade de liberdades, agindo livremente, acaba sempre por encontrar o seu caminho. "
Capítulo de conclusão do artigo de Teilhard de Chardin publicado na Revue des Questions scientifiques, em 1947, intitulado "A formação da noosfera"
domingo, 2 de novembro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
Dia de rio
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Tempo furtado
Quando todos os ruídos humanos me perturbam
E me afasto em fazer-me só
logo aí invoco a febre compassada que me invade, e te digo que
Antes de ser terrível, é ainda doce a manhã.
E me afasto em fazer-me só
logo aí invoco a febre compassada que me invade, e te digo que
Antes de ser terrível, é ainda doce a manhã.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
sábado, 27 de setembro de 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















